No início do século XX, São Paulo crescia no setor econômico, cultural e social, afetando a imprensa que começava a apresentar progressos relevantes. O público, sedento por cultura e informações, passava a consumir cada vez mais artigos e matérias publicadas nos veículos de comunicação da época como: “A Gazeta”, o “Jornal do Comércio”, “A Plateia”, “Folha da Manhã”, ” Folha da Noite”, “Diário da Noite”, a “Cigarra” e o “Parafuso”.

Para os jornalistas paulistanos, havia a necessidade de organizar uma entidade de classe autônoma como a Associação Brasileira de Imprensa do Rio de Janeiro. A consciência dessa nova realidade começou nas redações dos jornais, que pressionaram os editores para estabelecê-la na cidade.

Entre os anos de 1926 e 1928, alguns jornalistas, liderados pelos editores do “Correio Paulistano” Hermes Lima, Menotti Del Pichia e Cassiano Ricardo, resolveram criar uma entidade que, além de recreativa, cuidasse também dos interesses da classe.  Nasceu então o “Retiro dos Jornalistas” entidade que não chegou a funcionar para os devidos fins, por se tratar de um clube fechado, restrito a 25 jornalistas que pertenciam ao “Correio Paulistano” jornal porta-voz do Governo de São Paulo.

Apesar disso, permanecia a perspectiva de se fundar em bases mais amplas, uma organização que unisse e defendesse os profissionais de imprensa; uma entidade independente, mantida através da contribuição dos associados.

Período de mudanças

O período de 1930 a 1932 foi um dos mais conturbados para São Paulo. Além da economia paulista ter sido arrastada para crise financeira mundial, a cidade transformou-se em um “barril de pólvora”. Após o empastelamento do “Correio da Tarde”, na madrugada de 9 de julho de 1932, iniciou-se um movimento armado, liderado por militares e civis de São Paulo, os quais pretendiam que o governo federal convocasse uma constituinte através de eleições livres e democráticas.

Jornalistas paulistas como Ibrahim Nobre, Gama Cerqueira, Altino Arantes, Francisco Morato, Júlio de Mesquita Filho, Paulo de Moraes Barros entre outros, figuraram como lideres dos revolucionários.

Além da convocação de eleições gerais com voto popular em 1933, os produtores paulistas progrediam com a vasta produção algodoeira, citrícola e expansão industrial, iniciando uma fase de ascensão econômica no Estado.

Junto com as melhores perspectivas daquele ano, surgiram diversas entidades que passaram a influir na elevação da vida social e cultural da cidade paulista. Entidades como: a “Bandeira Paulista de Alfabetização” fundada pela educadora Chiquinha Rodrigues, a “Sociedade dos Amigos da Cidade” do grupo liderado por urbanistas como Prestes Maia, Machado de Campos, Anhaia Mello, Ubaldo Caiuby e Valencio de Barros. Naquela mesma época surgiu a Escola de sociologia e Politica que mais tarde foi incorporada `a USP e a Escola Paulista de Medicina que passou a pertencer `a PUC.


A criação da API

No final do ano de 1933, foi realizado em São Paulo um importante congresso de Imprensa. A repercussão desse congresso,  desencadeou o processo de criação da sonhada associação. Nascia assim, a Associação Paulista de Imprensa, a primeira entidade destinada a unir empresários e jornalistas em uma agremiação que tinha como principal objetivo, defender os interesses de toda classe. Concepção do meio intelectual e jornalístico da época, a Associação Paulista de Imprensa foi a consequência da atuação de mais de cem anos da atividade de imprensa. 


História dos Presidentes

O primeiro presidente eleito da API foi o Jornalista Alberto Siqueira Reis, liderando uma diretoria composta por nomes como Sud Mennucci, Assis Chateaubriand, Galeão Coutinho, Ruy Nogueira Martins, Pedro de Souza, Julio Cosi, Thiers Ferraz Lopes, Hernani Coelho, Julio Francfort, Manuel Carlos Figueiredo Ferras, Candido Mota Filho, Horácio de Andrade e Pedro Ferraz do Amaral. Começavam a partir de então grandes batalhas lideradas pelas sucessivas diretorias da entidade.

Entre 1935 e 1938 a entidade foi presidida pelo jornalista Honório de Selos que iniciando sua luta por benefícios para os jornalistas paulistas instituiu o programa de Casa Própria através de Carteira Predial, Seguro de Vida,  Assistência Médica com desconto para os associados e inscrição dos associados na Caixa de Previdência Social, hoje o  INSS. Ainda em 1935 os associados da API fundaram o então Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo que por mais de 20 anos funcionou abrigado na sede da Casa do Jornalista de São Paulo.

No final de 1938 num pleito muito concorrido, venceu a chapa encabeçada pelo conhecido jornalista, poeta e escritor Guilherme de Almeida, membro da Academia Paulista e Brasileira de Letras e redator do “ O Estado de São Paulo”.

Já na época, radialistas, jornalistas e propagandistas trabalhavam junto à API e às Rádios Cruzeiro do Sul e Tupi, transmitindo todas as semanas programas e sessões da API com aparelhagem instalada na sede da entidade, que nessa época, se situava na Rua XV de Novembro no centro de São Paulo.

Enquanto isso a Radio Difusora – antiga PRF-3 – em comemoração ao 5º ano da Entidade passou a transmitir um programa radiofônico semanal para discutir as necessidades dos jornalistas de São Paulo.

No ano seguinte era realizada uma nova eleição saindo vencedora a chapa presidida pelo jornalista José Maria Lisboa do “Diário Popular”, tendo como vice-presidente Eduardo Pelegrini, e como primeiro secretário Pedro Cunha, um dos fundadores da “Folha da Manhã”.

Vivia-se no regime totalitário do Estado Novo e a API contrapunha-se como entidade dos jornalistas ao DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) e aos DEIPS (Departamentos Estaduais de Imprensa e Propaganda), organismos ligados diretamente ao gabinete presidencial.

A Imprensa da época vivia sob o regime de severa censura. O único jornal que tentou protestar foi “O Estado de São Paulo”, principalmente porque o jornalista Julio de Mesquita Filho, seu diretor e seu cunhado Armando Salles de Oliveira , ex-governador, preso e exilado pelas forças de Getulio, eram os mais autênticos representantes das forças democráticas. O grande matutino foi invadido por forças militares que o ocuparam por ordem do então governador Adhemar de Barros.

Naquela ocasião a API que já havia conseguido junto ao governo do estado a doação do imóvel situado então na Rua Livre, hoje Álvares Machado – onde ainda funciona a sede em um Edifício de 10 andares –  resolveu se empenhar com toda a diretoria no sentido de impedir a ocupação do jornal. A diretoria da API, na época, liderada por José Maria Lisboa empenhou-se  em desmascarar a manobra da polícia, sem sucesso. Jornalistas e empresários viam nele a figura de prestigio capaz de apaziguar abusos contra a liberdade de imprensa. José Maria Lisboa, reeleito, não chegou a cumprir metade do segundo mandato, em virtude de seu falecimento no Rio de Janeiro.

Assumiu então o jornalista Eduardo Pelegrini que convocou novas eleições para o preenchimento efetivo da vaga. Mais uma vez, as forças do Estado Novo tentaram apoderar-se da API, lançando como candidato da oposição o jornalista e educador Sud Mennucci, na ocasião pertencente à redação do “Estado de São Paulo” que estava sob intervenção do governo.

As forças governamentais foram derrotadas pela vontade dos jornalistas de São Paulo e Eduardo Pellegrini exerceu a presidência por dois mandatos. Em sua administração contou

com a colaboração de ilustres jornalistas da época como Arco e Flecha, Pedro Monteleone, Américo Bologna e Casper Líbero, então diretor de “A Gazeta”.

O sexto presidente da API foi o jornalista Leoncio Ribas Marinho. Em sua administração foi inaugurada a sede própria da Associação. Em 1949 ele foi sucedido pelo jornalista Arsênio Tavolieri, que administrou a entidade até 1955. Na sequencia a entidade foi presidida pelo jornalista, escritor e sertanista Willy Aureli entre 1955 e 1957.

Além do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo, na Associação Paulista de Imprensa foram gestados e fundadas importantes entidades como a Associação dos Repórteres Fotográficos de São Paulo; a Sociedade Paulista de Escritores, a Associação Brasileira de Escritores, a Sociedade Geográfica e outras entidades culturais como a Casa do Poeta Lampião de Gás de São Paulo.

Em 1958 Arsênio Tavolieri era conduzido à presidência da entidade. Reeleito em 1961, mas decepcionado pela não concessão de verbas para concluir as obras da nova sede, a entidade entrou numa fase negativa, sendo sucessivamente presidida por jornalistas aliados a entidades político partidárias. A fase só foi interrompida com a eleição de Adriano Campanhole (1972/1973) que tomou uma série de medidas eficientes para recuperar a tradicional associação dos trabalhadores da imprensa.

Por questões políticas, os trinta anos seguintes foram comandados por Paulo Zingg e Carlos Correia de Oliveira, quando em meados de 2001 o jornalista e professor Adolfo Lemes Gilioli assumiu a presidência, substituindo Carlos Correia de Oliveira que havia se licenciado do cargo.

Em 2003 assumia Romeu Agnelli representando os jornalistas sindicalizados, sendo substituído em 2006 por JB Oliveira que se licenciou em julho daquele ano. O cargo foi assumido pelo jornalista Manuel da Costa Carregosa, que presidiu a entidade até 2007, proporcionando uma nova dimensão a agremiação, quando instituiu em mais de 30 diretorias que representariam todas as formas de comunicação existentes.

Quando JB de Oliveira, que havia se candidatado a Deputado Federal, reassumiu a presidência da API, todas as iniciativas do presidente anterior foram anuladas. A entidade retorna à condição vivida em períodos anteriores.

Em 2009 Costa Carregosa, por unanimidade, foi eleito à presidência representando as forças democráticas da comunicação social de São Paulo. Entretanto, dadas as circunstâncias em que encontrou a “Casa do Jornalista de São Paulo”, Costa resolveu reestruturar a entidade, renunciando seu mandato e provocando a convocação de eleições para que, em 2009, Sérgio Redó , atual presidente reeleito, assumisse a presidência com a missão de reerguer e readequar a entidade aos tempos e ferramentas atuais.